Como professor de Ciências, sinto-me privilegiado, pois o tema de minhas aulas é quase sempre algum fenômeno da natureza, algum ser vivo, algo misterioso e interessante para crianças e adolescentes. Conto histórias, viajo com a imaginação, crio situações diferentes, engraçadas, emocionantes... De repente, me deparo com olhos brilhando, queixos caídos, feições imóveis, atentas, ansiosas... felizes.

Eu realmente me divirto dando aulas! Adoro brincar com meus alunos e tornar cada assunto uma história cativante, divertida. Muitas vezes, eles ficam enojados com algumas explicações; outras, emocionados ou excitados. Ou, ainda, rolam de rir.

Meu desafio é fazê-los gostar de Ciências e, para que isso aconteça, desenvolvo diversos projetos com o objetivo de despertar o gosto pela natureza. Procuro usar situações do dia-a-dia e exemplos caseiros. Até trocamos receitas, pois a cozinha é um laboratório de Ciências muito interessante. E eles vão além. Hoje, grande parte da turma cria peixes em aquários e coleciona plantas carnívoras, pedras, conchas ou folhas secas.

Utilizo também muitos recursos da internet para me comunicar com a garotada. Envio regularmente um boletim eletrônico com notícias de Ciências e converso por meio de um programa de bate-papo, enquanto trabalho no computador. Freqüentemente, aparecem na tela mensagens do tipo: "Professor, você está aí?"

De vez em quando, algumas crianças "escorregam" e me chamam de pai. Os colegas até riem. No fundo, encaro isso como prova de que assumi um papel importante, marcante na vida delas. Isso me deixa profundamente lisonjeado! Outras vezes, algum pai me procura para agradecer pelo pulso firme, pelo interesse que o filho passou a ter ou pelo incentivo em algum momento difícil. Esse retorno é muito gratificante!

Sinto que sou responsável por cada uma daquelas vidas e comemoro as vitórias dos meus alunos, cada passo bem-sucedido, como uma vitória pessoal. E sempre que vejo algum sorriso de alegria e interesse me emociono e fico feliz por ter escolhido essa carreira.

 

Entrevista publicada na Revista Nova Escola, Edição 156, de outubro de 2002, na seção "Na parede da memória".
Nova Escola Online - http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/0156/aberto/mt_244669.shtml#topo

 

 

"Se podemos sonhar, também podemos tornar nossos sonhos realidade" (Walt Disney)